quinta-feira, outubro 16



A INFÂNCIA DOS TRÊS PORQUINHOS



por Rubem Queiroz Cobra


Os três porquinhos! Um muito inteligente, outro nem tanto, porém trabalhador, e o terceiro, preguiçoso e imprevidente. Mas, por que têm eles três “personalidades” diversas, e até mesmo opostas? Pois não eram três irmãos, nascidos e crescidos na mesma família?
Não é de admirar. Entre os humanos também acontece isto, de uma família ter um filho mais inteligente, um outro que não é nada brilhante, mas que pode ser útil ao pai ou à mãe, e outro ainda que é o filho problemático, difícil. E não são três irmãos, da mesma família, apenas com idades diferentes? Os pais não compreendem porque aquele filho, ao qual educaram para o bem, como aos demais, saiu-lhes ao contrário dos outros, tornando-se a ovelha negra da família. Não parece filho deles e chegam a suspeitar que tenha acontecido uma troca na maternidade...

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Para compreender como tudo começa, vamos nos fazer hóspedes invisíveis e sentar à mesa do almoço com a família Silva, cujo caçula é um filho problema.

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Os Três Porquinhos e a Teologia da Prosperidade
Suinolândia era uma cidade pacata. Apesar do fato de que a maioria esmagadora dos habitantes da cidade eram porcos, era uma cidade limpa, tranqüila, que nos últimos tempos andava em polvorosa, era que se achava por aquelas bandas o terrível Lobo Mau, personagem conhecido das lendas de muitos povos, mas nunca antes visto por aqueles ingênuos porquinhos. A cidade ultimamente andava meio estranha mesmo, o novo Prefeito, Sr. Je-suíno, evangélico que era (como a maioria dos porquinhos da cidade), já havia feito suas primeiras participações na vida "política" da cidade, e participações "importantíssimas", todas recomendadas pelo seu Pastor, ou melhor, Apóstolo, o Reverendíssimo Sr. Renê Porcalhão: Trocou o nome da cidade, que antes se chamava Nossa Senhora dos Porquinhos Aflitos; colocou em letras garrafais na bandeira da cidade a frase "Suinolândia é do Senhor Jesus, Povo de Deus, declare isso", fez uma cerimônia de purificação do Palácio do Governo, expulsando assim os "demônios territoriais" que ali estavam alojados, e ainda ungiu com óleo todos os seus Ministros e Secretários (todos membros de sua Igreja, é claro). Todos atos realmente significativos e transformadores da realidade local. Coisa de porco, né ?!
Ah! Uma outra coisa. Ele não retirou o monumento da entrada da cidade, um monumento estranho, algo como um Esquadro e um Compasso invertidos, acho que emblema da Má-suinaria, entidade da qual o Prefeito (e seu Pastor) faziam parte. Havia nessa cidade três porquinhos irmãos muito interessantes. Os três eram evangélicos também, apesar de reunirem-se em Igrejas bem diferentes. O primeiro, mais novo, havia recentemente perdido todos os seus bens. Um assaltante (esse sim, um porco de verdade) havia lhe roubado tudo o que tinha, todos os seus pertences, só lhe restou a pobre casa de palha, e a fé de que dias melhores viriam. O segundo, depois de abandonar a Má-suinaria, perdeu o emprego, não conseguiu mais nada, e vivia de "bicos" em sua pobre casinha de madeira.O terceiro, diferente de todos, era rico, afinal de contas, como ele mesmo dizia, ele era "Filho do Rei". Membro da igreja do Apóstolo René Porcalhão, trabalhava também na Prefeitura, e era Secretário de Fazenda do Município. Tinha uma vida meio dúbia, pois todos sabiam que ele "metia a pata" no dinheiro público, seus bens não conferiam muito com o que ganhava como funcionário da PMS (Prefeitura Municipal de Suinolândia), mas sabia se esconder como ninguém atrás de sua capa evangélica. Sua casa, diferente das casas dos irmãos, era muito grande, feita de tijolo, com várias dependências. Tinha uma vida boa, pra porco nenhum botar defeito. Com a notícia de que o Lobo Mau andava pela cidade, havia um certo ar de Batalha na cidade. Os fiéis do Rev. Porcalhão já haviam dado sete voltas em volta da cidade, amarrando o Lobo Mau, mandando-o para o abismo e coisas desse tipo, mas acho que a corda era fraca, pois toda semana repetiam o ato. E não era só contra o Lobo, mas contra seus lobinhos também: o lobinho da fome, lobinho da miséria, lobinho do medo, lobinho da dor-de-cabeça, enfim parecia haver tantos lobinhos que não sei como achavam tantos nomes.
Certo dia, o Lobo Mau em pessoa resolveu aparecer, e foi direto na casa do primeiro porquinho. Ao chegar, viu-o orando e como não conseguia tocar-lhe soprou forte sobre a casa de palha, e esta se espalhou ao vento, revelando a todos na cidade o grande poder do Lobo, mas também o fato notório de que ele não podia, sequer, tocar naquele porquinho. Saindo dali, o malvado Lobo, parou em frente a casa do segundo porquinho, uma casa simples de madeira, mas vazia. O porquinho havia saído para mais um "bico". Com muita raiva, destruiu toda a casa deixando-a em escombros, para tristeza do porquinho que chegou logo depois, e só teve como consolo orar.... e recebeu consolo. Logo depois, o famigerado Lobo Mau deparou-se com uma mansão enorme, dessas de filme, com chafariz, piscina, carros na garagem, e pensou: é agora que eu me faço!! Ao ver o Lobo no portão de sua casa, o terceiro porquinho não hesitou: foi para fora e com dedo em riste disse: - Lobo Mau, eu te amarro e ordeno que me digas toda a verdade em nome de Jesus. O Lobo, percebendo o modo de pensar do porquinho, resolveu não destruí-lo, era melhor conversar. O porquinho pensava que porque dizia a frase mágica "em nome de Jesus", o Lobo seria obrigado a responder-lhe realmente a verdade. Coitado! Não sabia que o Lobo tentou enganar até o próprio Senhor Jesus. O porquinho lhe perguntava sobre sua hierarquia Lobal, como se organizavam, áreas de atuação de cada lobinho, como eram os nomes deles realmente. E, malandro como era, o Lobo entrou na dança. Respondia tudo como lhe era agradável, satisfazendo o desejo incontrolável do porquinho em saber detalhes da vida de Lobo. Logo, chegaram vários outros porquinhos da cidade, sabedores da visita do Lobo ao porquinho mais velho. Multidões queriam ouvir o Lobo falar, ouvir o Lobo é melhor que ouvir o Cordeiro. Sem que o porquinho percebesse, o Lobo já estava sentado em sua grande sala, com todo o conforto, com toda a pompa, ocupando lugar de destaque em sua casa. A febre tomou conta da cidade. O porquinho mais velho resolveu, através de suas conversas publicar dois grandes livros, que logo se tornaram os mais vendidos nas livrarias ditas evangélicas: "A Divina Revelação do Lobo Mau" e "Ele Veio Para Devorar os Porquinhos". Ganhar dinheiro com as revelações do Lobo Mau era um grande negócio, pois ninguém mais queria ler as Palavras do Cordeiro, palavras mansas, denunciativas, coisas que não interessavam muito a porquinhos ocupados com o grande Lobo Mau. Em tempo: os outros irmãos juntaram-se e construíram uma outra casa, simples, mas firmada sobre a rocha, que Lobo Mau nenhum mais conseguirá derrubar. Humildes, reconheciam em todas aquelas provações, razões para crescerem em Deus, pois a única coisa que o Lobo não lhes tinha tirado, renovava a esperança dos mesmos em uma vida melhor: a FÉ !!
José Barbosa Junior
Fonte:Só Por Gostar de Escrever

quarta-feira, outubro 15

Dái a César o que é de César



No penúltimo Domingo de Outubro, todos os anos, a Igreja celebra o Domingo Mundial das Missões. Neste dia, nós, os católicos de todo o mundo, oramos, oferecemos sacrifícios e colaboramos com as missões.
EVANGELHO - Mateus 22, 15-21. Naquele tempo, os fariseus reuniram-se para deliberar sobre a maneira de surpreender Jesus no que dissesse. Enviaram-Lhe alguns dos seus discípulos, juntamente com os herodianos, e disseram-Lhe: «Mestre, sabemos que és sincero e que ensinas, segundo a verdade, o caminho de Deus, sem Te deixares influenciar por ninguém, pois não fazes acepção de pessoas. Diz-nos o teu parecer: É lícito ou não pagar tributo a César?». Jesus, conhecendo a sua malícia, respondeu: «Porque Me tentais, hipócritas? Mostrai-me a moeda do tributo». Eles apresentaram-Lhe um denário, e Jesus perguntou: «De quem é esta imagem e esta inscrição?». Eles responderam: «De César». Disse-lhes Jesus: «Então, dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus».
A liturgia do 29º Domingo do Tempo Comum convida-nos a reflectir acerca da forma como devemos equacionar a relação entre as realidades de Deus e as realidades do mundo. Diz-nos que Deus é a nossa prioridade e que é a Ele que devemos subordinar toda a nossa existência; mas avisa-nos também que Deus nos convoca a um compromisso efectivo com a construção do mundo. O Evangelho ensina que o homem, sem deixar de cumprir as suas obrigações com a comunidade em que está inserido, pertence a Deus e deve entregar toda a sua existência nas mãos de Deus. Tudo o resto deve ser relativizado, inclusive a submissão ao poder político.
O centro do Evangelho de hoje está na pergunta: É lícito ou não pagar o imposto a César? Quem faz esta pergunta são os discípulos dos fariseus e alguns do partido de Herodes. A pergunta é maldosa. Os fariseus são os mandatários. É uma cilada que eles armam para apanhar Jesus. Jesus vem desmascarando a justiça deles e eles querem eliminar Jesus de todo o jeito. Os do partido de Herodes apóiam o domínio de César. Os fariseus ficam em cima do muro tirando vantagem da situação; acham que basta cumprir a lei para serem fiéis a Deus e fecham os olhos diante de sua cumplicidade na exploração do povo.





Reflexão -
"DÁI A DEUS O QUE É DE DEUS"! - EVANGELHO COMENTADO
29º Domingo do Tempo Comum - Evangelho de Mt 22,15-21
O contexto deste trecho é o das controvérsias de Jesus com os chefes religiosos do judaísmo. São contraposições entre exigências humanas consideradas válidas e determinantes (pagar ou não imposto a César, saber qual é o maior mandamento, etc.) e a relação delas com Deus, que tem a primazia sobre todo o resto. Jesus não dá uma resposta afirmativa ou negativa à pergunta sobre o imposto a César (além disso, ele conhece a intenção que provocou a pergunta!), mas à luz da revelação bíblica propõe o seu ensinamento a respeito do homem e as exigências de Deus. No centro do ensinamento de Jesus está Deus, criador do homem e Senhor da história. Ao lado dele está o homem, criado “à imagem e semelhança de Deus” (Gn 1,27).
Para Jesus, esse é o absoluto e esse é o centro da sua pregação. César tem a sua imagem e a sua inscrição na moeda: é justo e obrigatório restituir a César a moeda com tudo o que ela significa (os vários serviços que o cidadão recebe do Estado). Deus tem a sua imagem e inscrição no homem: o homem deve ser dado a Deus.
A principal questão da pregação de Jesus não é o imposto a César (ou questões parecidas), mas é compreender que todas as escolhas decisivas do homem devem ser orientadas para Deus, sem reservas, compromissos ou contratos (segundo os quais se dá a Deus somente tudo aquilo que é “espiritual” e todo o resto é gerido por conta própria). “Dar a Deus o que é de Deus” não significa outra coisa senão nos tornarmos conscientes que a condição primária do homem é a de ser “imagem de Deus”. Todo o resto deve ser avaliado a partir desse absoluto.
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segunda-feira, outubro 13

Países da Europa anunciam plano para ajudar bancos


Os líderes dos 15 países que adotam o euro como moeda oficial chegaram neste domingo em Paris a um consenso sobre um plano para ajudar o sistema financeiro do bloco. O plano, anunciado em uma coletiva pelo presidente da França, Nicolas Sarkozy, estabelece que os países da zona do euro passarão a garantir os empréstimos interbancários.


FMI alerta sobre "sinais de tensão" em mercados emergentes
Diretor do FMI apóia plano do Eurogrupo contra crise

Os 15 governos também adotarão medidas para recapitalizar os bancos do bloco.Sarkozy disse que mais detalhes do pacote serão anunciados por cada país na segunda-feira e que as medidas serão colocadas em prática até 31 de dezembro de 2009.O presidente francês não revelou qual é o montante, em dinheiro, que o pacote deve mobilizar.Contra o pessimismo"Esta é de fato uma ação conjunta que estamos adotando", disse Sarkozy. "A crise nos últimos dias entrou em uma fase que torna intolerável optar pela procrastinação e pela abordagem isolada.""Este plano responde a todos os aspectos da crise financeira", afirmou.Comentando a proposta após o anúncio de Sarkozy, o presidente da Comissão Européia (braço executivo da União Européia), José Manuel Durão Barroso, destacou que um dos objetivos dela é "acabar com o excessivo pessimismo dos mercados"."Nós estamos seguindo o caminho certo para a Europa, para nossas empresas e para nossos cidadãos", disse."Ação coordenada é essencial para um gradual restabelecimento da confiança."
Grã-BretanhaA expectativa era de que os países da zona do euro adotassem um plano parecido com o anunciado pela Grã-Bretanha no início da semana passada, que prevê a nacionalização parcial dos bancos com dificuldades em troca da garantia de empréstimos interbancários e créditos de curto prazo.O primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, conversou com o presidente Sarkozy antes da reunião, depois de prometer que a Grã-Bretanha vai "conduzir o caminho" para sair da crise financeira.Os líderes das quatro maiores economias européias - Grã-Bretanha, França, Alemanha e Itália - realizaram a primeira reunião sobre a crise na semana passada, mas estavam divididos em relação a um plano comum.Antes do encontro em Paris, o ministro das Finanças de Portugal, Fernando Teixeira dos Santos, anunciou um fundo equivalente a cerca de US$ 27 bilhões para garantir a liquidez dos bancos baseados em Portugal.O ministro português ressaltou que a medida não é um sinal de fragilidade, explicando que ela visa apenas garantir o acesso a liquidez para continuar com o funcionamento normal da economia portuguesa.G7A ministra de Finanças da França, Christine Lagarde, disse que a conferência em Paris iria preencher o "esqueleto" do plano aprovado pelo G7 (o grupo das sete nações mais ricas do mundo) em Washington com "carne e músculos".Neste sábado, o diretor-gerente do FMI, Dominique Strauss-Kahn, disse que o sistema financeiro internacional está "à beira do derretimento sistêmico" e criticou a postura do G7, o grupo das sete maiores economias do mundo, em relação à crise.Kahn criticou o plano apresentado pelos ministros das finanças do G7 após, dizendo que ele não é suficiente para restaurar a confiança dos mercados."As preocupações cada vez maiores em relação à solvência de várias das maiores instituições financeiras européias e americanas empurraram o mundo para a beira do derretimento sistêmico", disse Kahn.Em outros paísesTambém neste domingo, após dois dias de discussões, o governo australiano decidiu garantir todos os depósitos bancários durante três anos.O primeiro-ministro do país, Kevin Rudd, também disse que seu governo vai garantir um fundo de venda por atacado para bancos australianos numa tentativa de apoiar as instituições financeiras afetadas pela crise.Os governos da Nova Zelândia e dos Emirados Árabes Unidos também se uniram ao países que resolveram garantir os depósitos bancários neste domingo.A maior bolsa de valores do mundo árabe, a da Arábia Saudita, encerrou o dia com a primeira alta em duas semanas, refletindo decisão das autoridades locais de cortar uma taxa de juros.Mas outras bolsas no Oriente Médio, onde os mercados funcionam normalmente aos domingos, tiveram quedas significativas: no Cairo, de 3%, e em Doha, de mais de 7%.Em Israel, a abertura dos negócios na bolsa de Tel Aviv chegou a ser adiada devido a fortes baixas de ações negociadas antes do início do pregão. Os negócios do domingo chegaram ao fim com queda de 3,8%.

domingo, outubro 12

'tsunami financeiro'


"Não temos mais ilusão. Os países em desenvolvimento serão afetados pela desaceleração global", afirmou hoje o ministro da Fazenda, Guido Mantega, em discurso no Comitê de Desenvolvimento do Banco Mundial, em Washington.


Por isso, o ministro avalia que, apesar das emergências deflagradas pela crise financeira internacional, erradicar a pobreza tem de ser prioridade. "Para evitar sérias conseqüências, o mundo em desenvolvimento precisa de um choque contracíclico", diz o comunicado divulgado depois da reunião realizada hoje durante o Encontro Anual do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial.O discurso de Mantega representou o grupo de países (Brasil, Colômbia, República Dominicana, Equador, Haiti, Panamá, Filipinas, Suriname e Trinidad e Tobago) no Banco Mundial. Segundo o documento, o ministro brasileiro observou a seus colegas que o "tsunami financeiro" pesa sobre os mais pobres no mundo, como resultado dos elevados preços de alimentos e combustíveis. Assim, as ocorrências recentes e os efeitos sobre o crescimento no longo prazo reforçam a importância do papel do Banco Mundial e do FMI "em proteger os vulneráveis"."Os países em desenvolvimento forneceram diversos exemplos bem-sucedidos de como promover elevadas taxas de crescimento e de como tirar as pessoas da pobreza sem comprometer o gerenciamento econômico sólido", acrescentou Mantega. "Esta é a hora na qual o Banco Mundial precisa agir mais rapidamente e com mais flexibilidade do que nunca para garantir que os recursos fluam em níveis previsíveis e adequados para países que mais precisam". Ainda, o ministro observa que o banco deveria se engajar com os países para fornecer suporte analítico, mas pesando o fato de que a situação corrente pede por menos condicionalidades, e não mais.O ministro avalia que, em diversos países, o fortalecimento de redes sociais é a resposta política-chave para os preços de alimentos e combustíveis, bem como para a crise financeira. "O Brasil já está compartilhando com outros países a experiência bem-sucedida com o programa Bolsa Família. Agora, mais do que nunca, o Banco Mundial deveria dar suporte para políticas que buscam ampliar os benefícios econômicos do crescimento econômico para os mais pobres e vulneráveis".Diante da perspectiva de recessão nos países avançados, Mantega cita que as economias de crescimento rápido podem ajudar a sustentar o crescimento. Assim, "o Banco Mundial deveria dar suporte para políticas que maximizassem a habilidade destas economias em desenvolvimento a se tornarem pilares para crescimento e investimento para o benefício de outras economias", disse. O ministro também apoiou a criação de uma cadeira de representação para a África Subsaariana, o que foi anunciado pelo Comitê de Desenvolvimento hoje.

Jornal do Vaticano responde a “lenda negra” de Pio XII


Mediante um artigo editorial, o jornal do Vaticano L’Osservatore Romano reafirmou o heróico e impetuoso trabalho do Papa Pio XII por salvar aos judeus durante a II Guerra Mundial e rechaçou novamente as acusações de que o Pontífice ignorou o Holocausto, as qualificando como uma “lenda negra” não respaldada pela história.
O editorial do jornal do Vaticano viu a luz dois dias depois que o Rabino de Haifa, Shear-Yashuv Cohen, interviesse durante o Sínodo de Bispos para pedir a suspensão do processo de beatificação de Pio XII, e um dia antes de celebrar o 50º aniversário da partida à Casa do Pai do grande Papa da II Guerra Mundial.
“Pio XII foi um homem da paz, que tratou de atuar o melhor possível, durante um dos períodos mais violentos da história”, diz o editorial; recordando que “ele confrontou a tragédia daquele tempo de guerra como nenhum outro líder o fez. Inclusive quando se enfrentou à monstruosa perseguição aos judeus trabalhou em um silêncio sofrido, o qual é compreensível e cujo objetivo era um eficiente esforço de caridade e inegável ajuda”.
O editorial explica que Pio XII trabalhou silenciosamente detrás da cena para ajudar aos judeus, porque uma intervenção mais direta teria piorado a situação.
Além disso, denuncia o que chama “uma lenda negra sobre o Papa, que foi insensível a Shoah (a palavra hebréia para o Holocausto) ou inclusive pró-nazista” e rechaçou tais acusações, dizendo que eram “sobre tudo inconsistentes do ponto de vista histórico”.
No dia anterior, L’Osservatore Romano dedicou uma página inteira a celebrar a memória do Papa Pio XII, incluindo um artigo do Secretário de estado da Santa Sede, o Cardeal Tarcisio Bertone.
“Foi precisamente graças a uma aproximação prudente que Pio XII protegeu aos judeus e os refugiados”, diz o Cardeal Bertone no artigo, reprodução de uma introdução escrita pelo Cardeal para uma nova biografia sobre o Papa da guerra.
O Secretário de estado argumenta além que toda investigação histórica honesta mostrou que “Pio XII nunca permaneceu calado e muito menos foi anti-semita. Foi prudente”.
“Se tivesse feito uma intervenção pública, teria posto em perigo a vida de milhares de judeus, que, por ordem dela, foram escondidos em 155 conventos e monastérios só em Roma”, adiciona o Cardeal Bertone.
Por isso, conclui, “é profundamente injusto estender o véu do preconceito sobre o trabalho que Pio XII realizou durante a guerra”.
O sacerdote jesuíta que lidera o processo de beatificação de Pio XII, o Pe. Paolo Molinari, assinalou a Rádio Vaticano na terça-feira que “Pacelli fez todo esforço possível para impedir a guerra”, e assinalou numerosos exemplos históricos de como o Papa tratou de impedir que a Itália se somasse ao conflito.
Perguntado sobre o processo de beatificação, o Pe. Molinari assinalou que a Missa que esta quinta-feira presidiu Bento XVI na Basílica de São Pedro com ocasião do 50º Aniversário da morte de Pio XII é “altamente significativa” nesse caminho.
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